
Houve um tempo em que não tínhamos medo de qualquer caminho. Em frente, abrindo o peito às palavras e às lâminas, seguíamos. Dedos em dedos, flanco com flanco. Houve um tempo em que sermos nós chegava. Para avançarmos pelos trilhos, ou recuar pelos atalhos. Houve um tempo em que o destino se revelava ao virar de cada esquina. No transbordar de qualquer encruzilhada. Houve um tempo em que nos bastava, ser o tempo e sermos nós.
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Hoje o tempo transborda de lâminas que abrem o peito como palavras. Hoje há atalhos que se viram nos dedos, seguem e, de medo, rasgam os flancos. Hoje o destino avança no tempo em trilhos que se dispersam. Toda e qualquer encruzilhada, neste tempo, já basta para o tempo deixar de ser o tempo, para nós deixarmos de sermos nós.